Ápice divulga novos dados exclusivos sobre a pirataria de artigos esportivos no Brasil: produtos falsificados representam 34% do total do mercado

Estudo aponta que mais de 225 milhões de produtos esportivos falsificados foram consumidos no país em 2025, com destaque para o crescimento acelerado do comércio online e o aumento do consumo em diferentes categorias do setor.

A ÁPICE divulgou os resultados da nova edição do estudo sobre a comercialização de artigos esportivos contrafeitos no Brasil, realizado em parceria com o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI). O levantamento revelou um cenário preocupante para o setor: em 2025, mais de 225 milhões de unidades de itens esportivos falsificados foram consumidos no país, representando um crescimento de 30% em relação a 2023, quando foram registradas 173,4 milhões de unidades contrafeitas comercializadas.


Os números demonstram que a pirataria segue avançando no mercado esportivo brasileiro e já representa 34% de todo o consumo de artigos esportivos no país. Ao todo, o mercado brasileiro movimentou cerca de 650 milhões de produtos esportivos em 2025, entre itens originais e não-originais.


A dimensão do mercado ilegal também se reflete no ritmo de consumo desses produtos no país: em média, cerca de 450 artigos esportivos piratas são adquiridos por minuto no Brasil.



Pirataria avança em diferentes categorias esportivas, com destaque para camisas de futebol


Entre as categorias analisadas pelo estudo, as camisas de futebol aparecem entre os produtos de maior circulação no mercado ilegal, em um contexto de aumento da demanda impulsionada pelo calendário esportivo e pela proximidade da copa. Segundo o estudo, foram consumidas 18,1 milhões de camisas de futebol falsificadas em 2025, volume equivalente a quase 30% de todas as camisas esportivas comercializadas no país.


O levantamento também identificou crescimento relevante nas demais categorias pesquisadas, como vestuário esportivo em geral, tênis, óculos e bonés, evidenciando a ampliação da presença da pirataria em diferentes segmentos do setor esportivo.


Mercado ilegal gera perdas bilionárias e impacto no emprego formal


Segundo a pesquisa, o avanço da pirataria gerou uma perda potencial estimada em R$ 31,8 bilhões para o mercado esportivo formal em 2025. Além disso, aproximadamente R$ 7,4 bilhões em impostos deixaram de ser arrecadados no período e mais de 60 mil empregos formais diretos deixaram de ser gerados apenas na cadeia produtiva de artigos esportivos, em razão da concorrência desleal provocada pelo mercado ilegal.


Para Renato Jardim, Diretor Executivo da ÁPICE, os dados demonstram o avanço estrutural da pirataria no mercado esportivo brasileiro e reforçam a necessidade de atuação coordenada entre setor privado e poder público no fortalecimento do combate à pirataria nos ambientes físico e digital: 


“A pirataria gera impactos significativos em toda a cadeia produtiva do esporte, comprometendo investimentos, empregos formais, inovação e arrecadação tributária. Além dos prejuízos econômicos, é importante destacar que muitos produtos falsificados não atendem requisitos mínimos de qualidade, desempenho e segurança, especialmente em categorias esportivas que demandam tecnologia e proteção ao consumidor”, afirma Renato.


Crescimento do comércio digital amplia desafio de combate à pirataria

A pesquisa demonstra, ainda, mudanças relevantes no comportamento de consumo e nos canais de comercialização de produtos esportivos falsificados no Brasil. Em 2025, 44% do consumo de artigos esportivos piratas ocorreu por canais digitais. Em 2023, esse percentual era de 37%, o que representa um crescimento de 7 pontos percentuais na participação do comércio eletrônico em apenas dois anos. A ÁPICE estima que, já em 2026, o canal digital já será o principal meio de escoamento de produtos piratas no mercado brasileiro. 


Embora o varejo físico — incluindo ambulantes e comércio informal — ainda concentre a maior parte das vendas de produtos não-originais, sua participação caiu de 63% em 2023 para 56% em 2025, reforçando a migração gradual da comercialização ilegal para os canais digitais. Este expressivo crescimento da comercialização de produtos não-originais no ambiente online demanda atenção e ações imediatas por parte do Governo.


Perfil do consumidor revela naturalização da pirataria

O estudo também identificou padrões de comportamento entre consumidores de produtos esportivos falsificados. O levantamento aponta que a compra passou a atingir diferentes perfis de consumidores, impulsionada principalmente pela percepção de “vantagem econômica”, facilidade de acesso online e forte apelo de produtos ligados ao futebol e à moda esportiva.


Ainda sobre o perfil, o estudo identificou que os consumidores estão cada vez mais “conectados”, acompanhando, por exemplo, conteúdos relacionados ao esporte nos canais digitais, em vez das mídias tradicionais como canais de televisão (abertos ou fechados), jornais ou revistas. Isso certamente tem relação direta como forte crescimento da pirataria nos meios digitais.


Sobre a pesquisa


O estudo foi realizado mediante uma pesquisa de campo com entrevistas e questionário com questões qualitativas e quantitativas, utilizando uma amostra de mais de 2 mil pessoas. A pesquisa foi realizada em todo território nacional, com a respectiva representatividade de gênero, região, acesso a internet e condição socioeconômica. As principais categorias de produtos avaliados foram óculos, tênis, camisetas de times, bonés e peças de vestuário esportivo no geral. Os objetivos são estimar a dimensão do mercado legal e ilegal do setor no país, conscientizar os consumidores e alertar instituições sobre os impactos e malefícios desta prática.


Sobre a ÁPICE

Somos a ÁPICE, Associação pela Indústria e Comércio Esportivo, formada pela união de empresas nacionais e internacionais do setor. Nascemos em 2010 com o objetivo de ser o canal institucional das marcas, do varejo e da indústria de produtos esportivos que atuam no Brasil, junto ao governo, a entidades públicas ou privadas e à sociedade em geral.

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